Obaluaê
Orixá da
cura, continuidade e da existência
Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu
que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os
orixás. Obaluaiê não podia entrar na festa, devido à sua
medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas
do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o
com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente,
e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de
envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava
dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia
a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia.
Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.
O xirê (festa, dança, brincadeira) estava animado. Os
orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Iansã chegou
então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento.
Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam
para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam
brancas pelo barracão. Obaluaiê, o deus das doenças,
transformara-se num jovem belo e encantador. Obaluaiê e Iansã Igbalé tornaram-se
grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos
dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper
as demandas dos mortos sobre os homens.
Xapanã,
rei de Nupê.
Xapanã, originário de Tapa, leva seus guerreiros para
uma expedição aos quatro cantos da terra. Uma pessoa
ferida por suas flechas ficava cega, surda ou manca, Obaluaê-Xapanã chega
ao território de Mahi no norte de Daomé, matando e dizimando
todos os seus inimigos e começa a destruir tudo o que encontra
a sua frente. Os Mahis foram consultar um Babalaô e o mesmo ensinou-os
como fazer para acalmar Xapanã. O Babalaô diz que estes
deveriam tratá-lo com pipocas, que isso iria tranqüiliza-lo,
e foi o que aconteceu. Xapanã tornou-se dócil. Xapanã contente
com as atenções recebidas mandou construir um palácio
onde foi viver e não mais voltou ao país Empê.
O Mahi prosperou e tudo se acalmou.
As
Duas Mães de Obaluaiê
Filho
de Oxalá e Nanã, nasceu com chagas,
uma doença de pele que fedia e causava medo
aos outros, sua mãe Nanã morria de
medo da varíola, que já havia matado
muita gente no mundo. Por esse motivo Nanã,
o abandonou na beira do mar. Ao sair em seu passeio
pelas areias que cercavam o seu reino, Iemanjá encontrou
um cesto contendo uma criança. Reconhecendo-a
como sendo filho de Nanã, pegou-a em seus
braços e a criou como seu filho em seus seios
lacrimosos. O tempo foi passando e a criança
cresceu e tornou um grande guerreiro, feiticeiro
e caçador. Se cobria com palha da costa, não
para esconder as chagas com a qual nasceu, e sim
porque seu corpo brilhava como a luz do sol. Um dia
Iemanjá chamou Nanã e apresentou-a
a seu filho Xapanã, dizendo: Xapanã,
meu filho receba Nanã sua mãe de sangue.
Nanã, este é Xapanã nosso filho.
E assim Nanã foi perdoada por Omulu e este
passou a conviver com suas duas mães.
|